11 abril 2006

Eu hoje joguei tanta coisa fora...

"Eu hoje joguei tanta coisa fora
ví o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias, gente que foi embora
a casa fica bem melhor assim..."

Estou prestes a completar 30 anos. Neste meu último dia de vida da minha fase de "garotão", preciso parar por alguns minutos, olhar para trás e ver o quanto caminhei. E nem seja talvez para analisar tudo o que tenho feito até hoje, mas apenas para ter a noção exata de que cheguei ao fim da primeira grande etapa da minha vida.

Todos dizem que aos 30 é que a vida começa, principalmente no âmbito profissional e no crescimento pessoal. Amanhã, quando eu acordar, vou procurar por algum fio de cabelo branco que não estava em minha cabeça, ou alguma espinha que tenha desaparecido do rosto, ou ainda, algumas rugas no canto dos olhos.

É... realmente estou envelhecendo, mas não vejo desta forma. Prefiro pensar que estou me aprimorando, amadurecendo, procurando ver o mundo com outros olhos, assim como o primeiro dia de uma criança na escola, estarei entrando na fase em que construirei o futuro meu e da minha família, escreverei um livro, serei mais responsável e irei trilhar um novo e fascinante caminho, em busca de novos ideais, novas conquistas.

Alexander, o Grande, era assim, vagava pelos mais distintos campos e montanhas, construindo o seu império, erguendo suas cidades, as Alexandrias, com o intuito de mostrar tudo o que havia conquistado, para poder orgulhar-se de seus feitos e ser reconhecido no final de sua vida como um "Grande Homem".

Em proporções e sentidos diferentes, creio ter buscado a mesma coisa. Em cada amigo(a) que conquistei, em cada gesto pelo qual eu sou lembrado, em cada cidade que passei e deixei algo de bom, e que até hoje é mantido. Porém, nunca fiz questão de deixar o meu nome escrito em uma pedra. Minha grande recompensa é saber que pude mudar o meio em que estive, que fiz a diferença na vida de certas pessoas. Mas, meu império ainda não está pronto. Muita coisa boa quero deixar ainda; obras faraônicas (não no sentido literal) cujo autor seja um "mero desconhecido".

Hoje, quando deitar em minha cama, irei adormecer sabendo que não irei mais acordar, e que amanhã, outra pessoa estará no meu lugar, pra dar continuidade em tudo o que fiz nestes últimos 30 anos.

Espero que compreendam e que sejam receptivos com o Ricardo Matiello que irão conhecer. Garanto que ele terá a mesma essência e o mesmo brilho nos olhos. Ele será verdadeiro, puro de coração e um amigo incondicional. Carregará no peito o amor pela vida, a paixão pelas pessoas e trará no semblante a alegria de uma criança. Seu cartão de visitas será um largo sorriso estampado no rosto e no dia do seu adeus, ele deixará muitas saudades.

Despeço-me dizendo um "Muito Obrigado" a todos que me ajudaram a chegar até aqui...

A única certeza que tenho é de que sozinho eu não teria conseguido.

1 Comments:

At terça-feira, abril 11, 2006 9:28:00 PM, Blogger Karina said...

Oh meu Deus... Que texto...
Pode ter certeza que você não vai deixar de ser o "garotão" com as doze badaladas.
Diria que dia ou outro somos forçados a amadurecer, em determinada atitude, outra não. Isso significa que o mesmo garoto de trinta pode ser o homem de trinta e isso é o que há de mais fascinante em nossa existência. As rugas nos cantos dos olhos denotam quantas vezes você já sorriu com o mesmo olhar de menino de cinco anos que você foi outrora, da mesma forma que hoje olha todo apaixonado a tua namorada.
As rugas e as velas no bolo significam apenas uma coisa: História.
Um grande abraço de sua amiga Karina.

 

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